domingo, 9 de fevereiro de 2014

Surrealismo

CONTEXTO HISTÓRICO

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa viveu um período de instabilidade política, social e ideológica. A Revolução Russa, em 1917, levou a classe operária pela primeira vez ao poder, fazendo com que o mundo capitalista se sentisse ameaçado. A paz era tão incerta quanto instável. Os valores tradicionais passaram a ser mais intensamente questionados, o que, no meio artístico, levou à busca de novas formas de analisar e representar a realidade.
Nesse contexto, dentre as diversas manifestações artísticas surgidas na década de 20, nasce o movimento surrealista como alternativa para um mundo angustiado, que acabara de vivenciar a "Grande Guerra" - como ficou conhecida a Primeira Guerra Mundial, pelo trauma profundo que causou na população europeia.
Num ambiente totalmente fragilizado, aparece o Surrealismo. Desestabilizado e destruturados de toda a ideia de cultura existente até então, propõe a junção de imagens bizarras com o intuito de escandalizar e chocar a sociedade; a deformação intencional da realidade

ORIGEM

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que nasceu em Paris na década de 1920, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. Reúne artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo ganhando dimensão mundial. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas do psicólogo Sigmund Freud, o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa.
O Surrealismo questionava as crenças culturais então vigentes na Europa, bem como a postura humana, vulnerável frente a uma realidade cada vez mais difícil de compreender e dominar.

O marco de início do surrealismo foi a publicação do Manifesto Surrealista, feito pelo poeta e psiquiatra francês André Breton, em 1924. Neste manifesto, foram declarados os principais princípios do movimento surrealista: ausência da lógica, adoção de uma realidade "maravilhosa" (superior), exaltação da liberdade de criação, entre outros.

CARACTERÍSTICAS DO SURREALISMO

•Amor ao protesto;
• Revolta contra tudo o que reprimia a liberdade;
• Valorização do improviso;
• Espontaneidade no manejo da linguagem;
• Sem intenção de realizar um trabalho artístico lógico e compreensível;

O surrealismo procurou superar os limites impostos à imaginação pelo pensamento comum e pelas conceções artísticas vigentes desde o Renascentismo.
Este movimento artístico dividiu-se em duas correntes:


A primeira consiste na deformação e sobreposição de imagens conhecidas criando assim objetos surrealistas, esta corrente surgiu da falta dadaísta de pré-julgamentos. Representada pelo artista Salvador Dalí. (representada pel´A Persistência da Memória)


A segunda corresponde à libertação da mente, do inconsciente, sem qualquer controlo sobre a razão. Representada pelos artistas Joan Miró e Max Ernst. (. O Carnaval de Arlequim e A Cantora Melancólica). As telas saem com formas curvas, linhas fluídas e com muitas cores


 ALGUNS ARTISTAS QUE PERTENCERAM AO MOVIMENTO DO SURREALISMO:

  • SALVADOR DALÍ
Nas obras de Salvador Dalí encontramos:

A fusão e sobreposição de objetos;
A vasta expansão da paisagem;
A representação do tempo como resistente;
A representação das formigas que devoram tudo o que as rodeia;

A ilusão óptica.

The Persistence of Memory ,1931

Honey is Sweeter than Blood, 1927

Female Bather, 1928

Accommodations of Desire, 1929

Playing in the Dark, 1929

The Great Masturbator, 1929

Paranoiac Woman-Horse (Invisible Sleeping Woman, Lion, Horse), 1930

Premature Ossification of a Railroad Station, 1930

JOAN MIRÓ

Joan Miró utiliza símbolos que remetem para uma fantasia
Empregou os elementos como: os pontos, as linhas, alguns símbolos 


Harlequin's Carnival, 1924-1925

Bottle of Vine, 1924

The Tilled Field, 1923

Catalan Peasant Head, 1924-1925

Person Throwing a Stone at a Bird, 1926

Woman with Blond Armpit Combing Her Hair by the Light of the Stars, 1940

  • MAX ERNEST
Max Ernest associa as imagens de elementos demoníacos e ilógicos com outros eróticos e imaginários.

Family Excursions,1919

A little sick horse's leg, 1920

Birds also Birds, Fish Snake and Scarecrow, 1921

Oedipus Rex, 1922

Gala Éluard, 1924

  • MARCEL DUCHAMP

Please touch, 1947

With My Tongue in My Cheek, 1959

Study for "Given: 1. The Waterfall, 2. Illuminating Gas", 1949 

  • RENÉ MAGRITTE

As sua obra são pintada com tal nitidez que parece muitíssimo realista,

Caracteriza o amor surrealista
Os paradoxos visuais embora as coisas possam dar a impressão de serem normais, existem anomalias por toda a parte.

The window, 1925

A famous man, 1926

Untitled, 1925

Fashionable people, 1950

The magician (Self-portrait with four arms), 1952

  •  GIORGIO CHIRICO
The predictor, 1916

Philosopher and Poet, 1916

Metaphysical Interior with Biscuits, 1916

The Melancholy of Departure, 1916

The Archaeologists, 1927

The painter's family, 1926

SURREALISMO EM PORTUGAL

O surrealismo em Portugal surge a partir de 1936, devido a experiências literárias realizadas por António Pedro e alguns amigos.

Em 1947 Cândido Costa Pinto contacta com André Breton, recém organizado do Grupo Surrealista em Paris e prepõe a criação de um mesmo grupo em Portugal. E é deste desafio que irá nascer o Grupo Surrealista de Lisboa.
A primeira e única exposição do grupo teve lugar em 1949 onde participaram António Pedro, António Dacosta, Fernando Azevedo, Moniz Pereira, Vespeira, Alexandre O’Neill, e José Augusto França. A exposição foi motivo de escândalo e alvo de ameaças policiais.
A iniciativa de censura por parte do governo agitou o meio artístico lisboeta que, no mesmo ano e no seguinte, teve mais duas exposições da índole semelhante, realizadas por um grupo de artistas desobediente.
ALGUNS ARTISTAS PORTUGUESES:
  • ANTÓNIO DACOSTA
António Dacosta utiliza os dispositivos surrealistas da livre associação para gerar "imagens de uma realidade que se sobrepõe ao quotidiano sem o negar, e antes obrigando-o a revelar o que esconde na aparência das coisas e dos seres".

Cena Aberta, 1940

O Usurário, 1940

Serenata Açoriana, 1940

  • MARCELINO VESPEIRA

Marcada por um acentuado caráter erótico, dotada de grande sensualidade formal e cromática.

Utiliza de formas contrastantes, redondas, pontiagudas, que lembra o corpo feminino
 veremos emergir corpos de mulher de grandes seios redondos, vulvas, falos erectos, aves, flores, chifres... 

Apertado pela Fome, 1945

Cadavre Exquis (Surrealist Group Collective Work), 1948

Carne vegetal, 1948

Parque dos Insultos, 1949

domingo, 26 de janeiro de 2014

Vidas em perfil - Livro - Relatório Crítico e Memória Descritiva

( link para o conceito já publicado )

Memória Descritiva 

Como já tinha referido no conceito, decidi fazer um livro de cortiça em que os desenhos fossem feitos em Sting Art.
No livro, foram retratados vários tipos de pessoas: bailarina, criança, camponês e um homem da cidade. Todos eles são anónimos mas representam um tipo de vida.
Escolhi também um pequeno poema que fica na primeira página, acima de todos os retratos.

"Na sombra vivem os que não tiveram sorte,
pequenos e pisados, os artistas sem glórias,
as meretrizes,os gigôlos,os bêbados e os humildes anônimos
no mundo.
Na sombra multiplicam essa paisagem contínua.
A sombra dá os limites,entre o que foi e o que é.
anula aparências,aproxima distâncias...
Na sombra nascem as estrêlas,as sementes,as idéias...
As músicas e a própria Vida...."

Sandra Helena Queiróz Silva


Ao falar com a docente, esta expôs a sua opinião dizendo que o fundo só de cortiça não iria resultar, pois iria assemelhar-se em demasia a um pavimento. Assim, decidi experimentar manchas aleatórias com tinta permanente em bocados de cortiça que restaram. Algumas dessas manchas assemelhavam-se a objetos reais. Decidi utilizá-las mesmo assim, não fazendo o seu negativo, nem utilizando apenas pedaços da mancha.
Tendo os fundos já feitos, comecei a criar as silhuetas com ajuda a algumas já existentes que encontrei na internet.









Terminadas todas as silhuetas, escrevi o poema escolhido na primeira página e fiz a capa :


Relatório Crítico:

No geral, sou da opinião de que o resultado final do livro de artista ficou dentro das minhas expectativas. No entanto, admito que teve alguns erros no seu decorrer (devido à cortiça ser mole alguns dos alfinetes saíram do lugar)
Também durante o processo de criação do livro tive alguns erros, tal como a docente já me tinha dito, não fiz algumas das pesquisas que me recomendou que tinham a ver com o que pretendia fazer no meu projeto.
Tenho consciência de que o meu livro está muito minimalista mas não acho que isso seja alto negativo, uma vez que foi essa a minha intenção desde o início.

Imagens do trabalho final:






quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vidas em perfil - Livro - Progresso 4

Progresso nas páginas do livro.
Abaixo encontram-se 2 das páginas como exemplo.











Vidas em perfil - Livro - Progresso 3

Com tudo já minimamente decido, comecei a fazer as silhuetas.
Os alfinetes eram demasiado grandes para o que tinha pensado, por isso, com um alicate tive de cortar um por um no tamanho que queria.
Depois de já ter alfinetes suficientes para a silhueta, coloquei a silheta impressa no sitio onde queria e comecei a contorná-la com os alfinetes.




terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vidas em Perfil - Livro - Progresso 2

Ao falar com a docente, esta expôs a sua opinião dizendo que o fundo só de cortiça não iria resultar, pois iria assemelhar-se em demasia a um pavimento. Assim, decidi experimentar manchas aleatórias em bocados de cortiça que restaram. Algumas dessas manchas assemelhavam-se a objetos reais. Duas das manchas que gostei :

Especialmente a que de baixo assemelhava-se a uma árvore, podia assim utilizá-la no fundo do camponês que estava a pensar fazer. Passei assim as manchas para o pedaço de cortiça final.



Criei mais algumas manchas (também com escorridos e manchas aleatórias) para as restantes duas páginas do livro.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Vidas em perfil - Livro - Progresso


Fig 1 e 2 : Maquete do livro. Como irá abrir

Após já ter uma ideia de como iria ser o livro. Comecei a pensar nas silhuetas que iria usar. Encontrei então na internet algumas que poderia utilizar como guia: