domingo, 17 de novembro de 2013

Água-forte

O termo usado foi até o século XVII para designar o ácido nítrico diluído em água. Por ser usado num dos processos da calcografia, em que a imagem obtida na impressão é fixada sobre uma chapa metálica, após a corrosão dos traços do artista pelo ácido nítrico, o termo passou a designar, além do processo, a matriz usada para a impressão da gravura e a própria gravura, já concluída.
O processo se dá a partir do revestimento da chapa - que pode ser de ferro, cobre, alumínio, zinco ou latão - com um verniz de proteção, seguido da incisão do desenho que se deseja obter, com estilete ou outra ferramenta de ponta metálica, ou através de impressão fotográfica. Dessa forma, o desenho aparece onde o verniz foi retirado, sem arranhar o metal, permitindo a ação do ácido, que forma os sulcos em que a tinta será colocada. O tempo do mergulho no ácido pode definir tonalidades diferentes e o processo pode ser repetido inúmeras vezes.
A água-forte contrapõe a espontaneidade da linha, que traz para a imagem impressa o ar de desenho. Rembrandt (1606 - 1669) é considerado um dos maiores água-fortistas da história da arte, associando frequentemente a água-forte à ponta seca. Recorrem também à água-forte Albrecht Dürer (1471 - 1528), Lucas van Leyden (ca.1494 - 1533), Parmigianino (1503 - 1540), dos primeiros italianos a produzir águas-fortes originais a partir de seus próprios projetos e Francisco de Goya (1746 - 1828), destacando-se a famosa série, Os Caprichos, publicada em 1799.











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sábado, 16 de novembro de 2013

Bartolomeu Cid dos Santos



Nasceu em Lisboa em 1931 e faleceu em 2008, Londres. Formou-se na Escola Superior de Belas-Artes entre os anos 1950 e 1956 e  nos dois anos seguintes na na Slade School of Fine Art.
De 1961 a 1996 ensinou no Departamento de Gravura da Slade School of Fine Art. Foi Emeritus Professor in Fine Art da Universidade de Londres e Fellow do University College London e membro da Royal Society of Painter Printmakers. Foi também artista visitante em numerosas escolas de Belas Artes na Grã-Bretanha. No estrangeiro foi professor visitante da Universidade de Wisconsin, em Madison (1969 e 1980), na Konstkollan Umea, Suécia (1977 e 1978), no National College of Art em Lahore, Paquistão (1986 e 1987) e na Academia de Artes Visuais de Macau em numerosas ocasiões.

Esteve representado em inumeras exposições colectivas e individuais em cidades como Londres, Genebra, Roma, Lisboa e Nova Iorque.

A sua obra centrou-se na gravura, embora tenha produção significativa em desenho e pintura, azulejo, etc. Retomando uma técnica adaptada da água forte e que experimentara no início da carreira, nas últimas décadas realizou grandes painéis de pedra gravada para o metropolitano de Tóquio (Estação Nihonbashi) e de Lisboa (Estação Entre Campos).

A sua obra:

  • Anos 70


Nestas gravuras assistimos não apenas a uma inflexão temática mas também formal. À expressividade das séries iniciais sucede-se agora um rigor meticuloso, geometrizante; as imagens despem-se quase sempre de gente, sobrando paisagens agrestes e formas arquitetónicas, montanhas, rochedos, labirintos, arcos, esferas, pirâmides…
E a polissemia destas imagens abre muitas delas a um outro tipo de leituras, sendo possível interpretá-las enquanto metáforas de prisão ou de um estado totalitário, como era na época o caso português.

  • Anos 80


A combinação da montagem fotográfica com a água-forte, experimentada nos anos de 1970, irá marcar as suas gravuras da década seguinte. Bartolomeu apropria-se agora de imagens alheias, de fotografias e mapas, de palavras e fragmentos de texto, que incorpora nas suas obras, em diálogos com o universo formal anterior de que resultam imagens de grande riqueza e complexidade.

  • Período Final


A sua estreita relação com a literatura e a poesia é explicitada de forma ainda mais inequívoca no extenso painel da Biblioteca, pertencente ao conjunto, em pedra gravada, que criou para o átrio sul da estação de metropolitano de Entre Campos (Lisboa, 1991), e que marca o arranque do seu último período. Aqui, Bartolomeu dos Santos apresenta-nos longas prateleiras onde dispõe uma vasta representação dos maiores da literatura portuguesa, a par de uma pequena seleção de favoritos pessoais que inclui Borges, Gabriel Garcia Márquez, Umberto Eco ou T. S. Eliot . É também aqui que se anuncia o novo tipo de opções formais, de cariz gestual, que iria prolongar-se nos trabalhos de gravura e pintura dos anos posteriores .
Os temas de Bartolomeu dos Santos abrangem um território vasto, que vai do olhar sobre si próprio às reflexões sobre a identidade coletiva (é sintomática a evocação do Tratado de Tordesilhas ou do 25 de Abril); ou da dimensão metafísica dos seus labirintos ao humor corrosivo e à turbulência das batalhas realizadas nos anos finais, onde os ferozes guerreiros da sua infância e juventude se transformaram em ratos de banda desenhada.


Alguma das suas obras:

Fig. 1 - Abandones Palaces, 1960

Fig. 2 - Atlantis, 1972, gravura, 50,5 x 67 cm

Fig. 3 - Bishops meeting, 1963

Fig. 4 - Composition, 1970

Fig. 5 - Flower, 2000

Fig. 6 - Four Bishops (Quatro bispos), 1962, Água-tinta, 25 x 30 cm

Fig. 7 - Looking Back, 1985

Fig. 8 - Ode Marítima II, 1988, técnica mista, 77 x 60 cm

Fig, 9 - Painel para Estação Entre Campos, Metropolitano de Lisboa, pedra gravada

Fig. 10 - Ricardo Reis and Fernando Pessoa, 1984

Fig. 11 - Running Battle, 2000

Fig. 12 - Still life with glass, 1991

Fig. 13 - untitled, 1960

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Happening

O happening é uma forma de expressão das artes visuais que, de certa maneira, apresenta características das artes cênicas. Neste tipo de obra, quase sempre planejada, incorpora-se algum elemento de espontaneidade ou improvisação, que nunca se repete da mesma maneira a cada nova apresentação.

O primeiro happening da história das artes ocorreu em 1952, nos EUA, no Black Mountain College, realizado pelo músico experimental John Cage. Dentre as realizações de Kaprow, destacam-se Environment, em 1960, An Apple Shrine, em 1960, e Chicken, apresentado em 1962. Os principais artistas norte-americanos são Jim Dine, Claes Oldenburg, Rauschenberg e Roy Lichtenstein.

O termo happening, como categoria artística, foi utilizado pela primeira vez pelo artista Allan Kaprow, em 1959. Como evento artístico, acontecia em ambientes diversos, geralmente fora de museus e galerias, nunca preparados previamente para esse fim.

video 1 - "A New Bedford "Happening" - Primeiro Happening, John Cage




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domingo, 10 de novembro de 2013

Lourdes Castro


Lourdes Castro frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, concluindo o curso em 1956. Expôs individualmente pela primeira vez em 1955, no Funchal, participando também em algumas exposições coletivas em Lisboa.
Partiu para Munique em 1957 e, pouco depois, instala-se em Paris. No ano seguinte funda, juntamente com René Bertholo,Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo, o grupo KWY.

No princípio da década de 1960 coleciona objetos quotidianos em assemblages, cobertos de cor prata, para, em seguida, passar a registar apenas a sua sombra.Publica, com Benjamin Patterson, Prints and Comments (1962). A partir de 1963 Lourdes de Castro começa a introduzir a cor no seu trabalho: uma cor uniforme - o vermelho, o azul ou o verde, por exemplo. Estas pesquisas sobre sombras e contornos entendem-se progressivamente da serigrafia à tela e do plexiglas ao pano, evoluindo as iniciais formasre cortadas e pintadas para "sombras deitadas" que culminam nas "sombras em movimento" o teatro de sombras (1973).

Algumas das suas obras:

Fig. 1 - Ananás Tropical, 1970

Fig. 2 - Carros e carinhas, 1963

Fig. 3 - In the cafe, 1964

Fig. 4 - Perfil, 1970

Fig. 5 - Sombra de Costa Pinheiro, 1963

Fig. 6 - Sombra projetada de Christa Maar, 1968

Fig. 7 - Sombra projetada de René Bertholo, 1965

Fig. 8 - Sombras projetadas, 1964

Fig. 9 - Vaso Amarelo, 1970

sábado, 9 de novembro de 2013

Pedro Cabrita Reis


Pedro Cabrita Reis nasceu em Lisboa a 1956. É um dos importantes artistas portugueses, participando em enumeras exposições internacionais. O seu trabalho é muito diversificado (pintura, desenho, fotografia, escultura, ...).. Conjuga a coerência de propósitos e filiações temáticas com a capacidade de renovação e diversificação de métodos e materiais. 


Algumas obras de Cabrita Reis:

  • PINTURA

Fig. 1 - A serra em volta #25, 2007

Fig. 2 - Arcadia, blue series #2, 2010

Fig. 3 - Bemparece serie IV #4, 2003

Fig. 4 - c.q #15, 2007

Fig. 5 - Facts of life #1, 2008

Fig. 6 - P.L series #13, 2007

Fig. 7 - seven black circles #2 , 2010

Fig. 8 - The 52nd year #4, 2008

Fig. 9 - the large self-portraits #006, 2005

  • ESCULTURA
Fig. 10 - A lifetime, 2011

Fig. 11 - Amarração, 2008

Fig. 12 - Sarabande, 2003

Fig. 13 - The spatial composition, 2009

Fig. 14 - Untitled with 7 lemons, 2011



Webgrafia:

Ana Vieira


Ana Vieira nasceu em Coimbra em 1940 e passou a infância na ilha de S. MiguelAçores. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, terminando o curso de Pintura em 1964. Desde então que o seu percurso foi marcado por um desvio ao suporte do quadro pintado, em busca de construções cénicas e teatrais, ou da manipulação de figuras e objetos, criando “simulacros” que lidam essencialmente com a alegoria e a memória. Quatro décadas de trabalho unidas por uma invulgar coerência, no tipo de operação poética com que Ana Vieira visa sempre libertar imagens e objetos da sua própria existência material e mundana – seja através de ambientes, instalações, cenografias, recortes ou montagens. Ana Vieira vive e trabalha em Lisboa.


Ganhou muitos prémios, entre eles:


  • 1ª Bienal dos Açores e do Atlântico (1985)
  • Concurso Dyrup/Cidade de Lisboa (1ª fase) com o Arquitecto Victor Mestre (1986/87)
  • A.I.C.A. - Associação International de Críticos de Arte/ S.E.C - Secretaria De Estado da Cultura